Clareamento dental com carvão funciona?

O tema de hoje no nosso blog é sobre um assunto “meio que polêmico” na odontologia e muito discutido entre os cirurgiões-dentistas, empresas, blogueiras “rsrs”, pacientes, enfim, todos já falaram ou já ouviram falar de dentifrícios à base de carvão que prometem clarear os dentes e não são recomendados pelos Dentistas. A insatisfação pela alteração da coloração dentária é cada vez mais relevante na sociedade, a procura de procedimentos para clareamento dental vem crescendo ainda mais, assim como a variedade em produtos “branqueadores” por parte das indústrias.

A cor do elemento dental se dá através das propriedades ópticas do esmalte e da dentina, sendo que manchas extrínsecas também podem interferir nessa coloração. As alterações de cor podem ser de maneira EXTRÍNSECAS e INTRÍNSECAS, portanto, técnicas diferentes podem ser empregadas para a correção ou alteração da cor. Alterações de cor por manchas extrínsecas podem ser removidas mecanicamente, já a alteração de cor intrínseca (dependendo sua origem/causa) necessita de agentes químicos, clareadores, para a sua retificação.

A venda livre de produtos que se dizem clareadores aumentou consideravelmente, ganhou popularidade devido a seu menor preço (comparado ao clareamento de consultório, acompanhado pelo cirurgião-dentista) e ao atraente marketing empregado pelos fabricantes. Esses produtos clareadores são disponíveis para o consumidor em géis, tiras, enxaguantes, dentifrícios, entre outros. Os mais vendidos no mercado são os dentifrícios em forma de pasta, com ampla variedade na composição e os principais ingredientes são agentes com funções mecânicas e químicas. Porém deve-se tomar MUITO cuidado ao utilizar estes produtos.

Os produtos químicos possuem finalidade de descoloração e mecânicas de abrasão. Os abrasivos possuem grande atribuição na remoção de placa bacteriana, biofilme dental e polimento da superfície dental. Porém seu uso deve ser utilizado com cautela, pois causa a remoção superficial da estrutura dental e com isso pode causar sensibilidade, além de provocar irritação da mucosa. As alterações de cor extrínsecas se relacionam devido a deposição de pigmentos que formam manchas e as manchas intrínsecas estão associadas a fatores sistêmicos de origem pulpar ou associadas à estrutura do esmalte e da dentina.

As manchas extrínsecas podem ser removidas de maneira mecânica por raspagem/profilaxia e manchas intrínsecas (dependendo sua origem) através do clareamento dental, pela degradação química dos cromogêneos de alto peso molecular em pigmentos com menor peso molecular. Os abrasivos podem ser sílicas, óxidos metálicos, fosfatos, carbonatos, bicarbonato de sódio e mais recentemente as partículas de carvão. Vale ressaltar que as pastas abrasivas removem manchas extrínsecas e não alteram a cor natural do dente, apenas a remoção química.

A remoção química dos pigmentos depende dos agentes ativos, principalmente os oxidantes (peróxidos) e o mais comum é o peróxido de hidrogênio (H₂O₂). Em contato com o substrato dental, o H₂O₂ realiza uma reação de oxidação e se degrada em água e oxigênio. Quando presentes na composição de dentífricos os peróxidos apresentam baixa concentração (até 1% de H2O2 ou 0.5-0.7% de peróxido de cálcio) e o tempo de contato desses agentes com o substrato dental é reduzido (apenas durante a escovação). Já os agentes clareadores prescritos pelo cirurgião-dentista permanecem por muito mais tempo e possuem uma alta concentração de peróxido, por exemplo: Peróxido de hidrogênio é encontrado nas concentrações de 6%; 7,5%; 9,5% (para uso caseiro de forma supervisionada e orientada pelo cirurgião-dentista) e 35%; 38% para ser utilizado em consultório odontológico pelo profissional (fora os clareadores à base de peróxido de carbamida).

CONCLUSÃO

As pastas abrasivas são eficazes na remoção de manchas extrínsecas na superfície dental, porém não servem como finalidade de clarear os dentes e seu uso deve ser utilizado com muita cautela. O carvão ativado (um pó de coloração negra) que é um agente abrasivo, porém na literatura científica não há estudos comprovando que esse produto possa clarear os dentes, nem existe protocolo publicado em literatura específica para orientar seu uso.

A força empregada durante a escovação, a duração, a frequência, o tipo de escova dental e os agentes abrasivos (ASSIM COMO SEU USO INDEVIDO E CONTINUADO) geram efeitos secundários que causam perdas irreversíveis dos tecidos dentais, hipersensibilidade dentinária,
recessão gengival, descamação e irritação da gengiva.


A melhor forma de obter um tratamento clareador eficaz, duradouro e sem riscos é através de um profissional qualificado CIRURGIÃO-DENTISTA. Profissional apto que possui conhecimento, irá supervisionar e explicar a forma correta da aplicação do agente clareador. Escolherá o tipo de clareamento (caseiro ou de consultório), o tipo de peróxido (carbamida ou hidrogênio), concentração e frequência de utilização do agente clareador. O cirurgião-dentista irá selecionar o agente clareador adequado para cada tipo de paciente, pois há casos onde o paciente já apresenta sensibilidade dental, assim esse profissional pode realizar um protocolo de tratamento da hipersensibilidade dental antes de começar o procedimento clareador.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FERREIRA, Diana Gomes. Dentífricos Branqueadores: composição, efeitos, eficácia e cosméticos de venda livre em Portugal. 2017. 52 f. Dissertação (Mestrado em Medicina Dentária) – Universidade Fernando Pessoa Faculdade de Ciências da Saúde, Porto, 2017.
SOUZA, Fábio Barbosa. CARBONO ATIVADO VERSUS CLAREAMENTO DENTAL: Quais as evidências científicas? Disponível em: < https://www.cro-pe.org.br/noticia.php?idNot=1140 >. Acesso em 03 junho de 2019.

Dra. Caroline Provesi

Dra. Caroline Provesi

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